Por Patricia Esteves
Boa de bola, simpática e linda. Assim é a lateral Maurine, da Seleção Brasileira e do Santos. Considerada uma das grandes jogadoras da geração, a brasileira chegou a passar um tempo nos EUA, onde atuou pelo Western New York Flash, ao lado da melhor do mundo Marta. Atualmente joga pelo Santos e está disputando o seu primeiro Pan-Americano, em Guadalajara, com as meninas do Brasil. Mas se você pensa que foi fácil chegar até aqui, está muito enganado. Com espírito guerreiro, a morena, que diga-se de passagem arranca suspiros dos marmanjos desde que começou a se destacar na modalidade, conseguiu se firmar e hoje é tida como uma das peças fundamentais da equipe que busca o tri na competição continental. Por isso, antes de viajar para o México, conversamos com ela e descobrimos um pouco sobre essa mulher com alma de menina. Confira a entrevista!
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Futebol para Meninas – Como você começou a jogar futebol?
Maurine Dornelles – Meu pai sempre jogou bola e foi assim que me interessei pelo esporte. Então, sempre fiquei no meio dos meninos jogando também. Comecei na escolhinha do Grêmio e aos 15 anos fui para o Paraná. Depois passei pelo CEPE/Duque de Caxias e por alguns clubes de São Paulo, até parar no Santos.
FPM – Como foi a experiência no Western New York Flash, onde você atuou ao lado da Marta?
MD – Foi uma experiência muito boa jogar esse tempo nos EUA. Fiquei um pouco acima do peso, pois lá a comida é muito diferente da brasileira, e tive um pouco de dificuldade com a língua, mas no fim deu tudo certo. Gostei muito de viver isso. A lição que tirei foi que o vier para me ajudar na carreira, eu vou fazer.
FPM – Afinal, aprendeu a falar inglês?
MD- Só um pouco. Consegui me virar, mas acho uma língua difícil.
FPM – Pensa em jogar novamente no exterior?
MD – Acho que se for me acrescentar alguma coisa, tudo é válido.
FPM – Qual foi a grande diferença que você observou no tratamento do futebol feminino nos EUA para o tratamento aqui no Brasil?
MD – Acho que as principais diferenças que vi lá foram de estrutura dos times e de organização. O povo lá é organizado até para torcer. Mas não é tão caloroso quanto o brasileiro e isso faz diferença. Senti falta disso.
FPM – Como foi a recepção no Santos quando você voltou?
MD – Foi ótima. Estava mesmo com saudade das meninas. Mas como estava jogando fora, só posso atuar na Copa do Brasil e na Libertadores pelo Santos. Estou me empenhando muito para conquistar mais um título para o Peixe.
FPM – Quem você considera o adversário mais difícil na Libertadores desse ano?
MD – Acho que os adversários são todos muito bons. O CEPE, o São José, o Boca… não dá para eleger um como mais forte.
FPM – E o Pan? Você acha que a eliminação da Copa do Mundo trouxe mais força para vocês buscarem o título no Pan-Americano?
MD – Ninguém gosta de perder. O gosto da derrota é terrível. Mas voltamos com a consciencia limpa de que demos o nosso máximo e com certeza nossa eliminação serviu para que chegassemos ao Pan com mais força ainda. Temos que conquistar esse título e apagar nossa eliminação precoce da Copa do Mundo.
FPM – Você acha que a Marta vai fazer muita falta?
MD – Lógico que sentimos falta da Marta, ela é diferenciada e fundamental, mas estamos trabalhando para que consigamos suprir essa ausência.
FPM – O que você acha que falta para que o futebol feminino ganhe mais força no Brasil?
MD – Falta o apoio dos clubes. Acho que cada time masculino deveria ter uma equipe feminina e realizar preliminares da categoria antes dos jogos deles. Se formos pensar em alguns anos atrás, conseguimos ver que a modalidade já evoluiu muito, mas ainda falta uma longa estrada. Acho que isso poderia contribuir para dar mais visibilidade para nós.
FPM – E essa coisa de ser considerada símbolo sexual, como você encara o fato?
MD – Acho até engraçado. Sou muito vaidosa, passo maquiagem para jogar e capricho nos penteados. Acho que por isso que os homens me veem assim. Independente de jogar futebol, tem que continuar com uma postura feminina.
FPM – Tem vontade de fazer um ensaio sensual?
DM – Gostaria sim. Acho que se for uma coisa bem feita, dá para ficar em legal. Tem uns que são muito bonitos.
FPM – Mas você pensa em fazer quando não estiver mais jogando ou assim que pintar oportunidade?
MD – Penso em fazer logo. Tenho bastante vontade.
FPM – Já recebeu muitas cantadas por conta disso?
MD – Cantada sempre tem, né? Já disseram até que queriam casar comigo. Levo tudo numa boa. Mas tenho namorado (Maurine namora o produtor musical Marlon há sete meses).
FPM – Como você conheceu o Marlon?
DM – Foi por causa de um amigo em comum, que me levou em um dos shows que ele estava produzindo. Desde então, estamos juntos. Às vezes, é difícil conciliar o namoro com as nossas agendas lotadas, mas temos muita confiança um no outro.
FPM – O que vocês gostam de fazer nas horas vagas?
DM – Gosto muito de ir ao cinema com ele.
FPM – Quando pendurar as chuteiras, você pensa em continuar trabalhando com futebol?
MD – Não. Quero mesmo é ser dona de casa e curtir os dois filhos que quero ter. Nunca pensei em trabalhar de treinadora ou qualquer outra coisa no mundo da bola. Mas isso tudo, só depois das Olimpíadas de 2016.
FPM – Para terminar, qual conselho você daria para as meninas que querem investir na carreira de jogadora de futebol?
MD – Acho que as meninas tem que aproveitar todas as oportunidades que aparecerem. Se você tem um sonho na cabeça, tem que ir atrás.