Por Brena Messias e Patricia Esteves
Patrícia Amorim tem fribra e coragem de sobra. Talvez por isso, a presidente do Flamengo, no passado nadadora, tenha sido eleita para comandar um dos maiores clubes do Brasil. No cargo desde o início de 2010, a também vereadora, passou por momentos felizes como a contratação de Ronaldinho Gaúcho e a conquista do Carioca invicto deste ano. Mas também passou por maus bocados quando, bem no início de seu mandato, teve que enfrentar a prisão do goleiro Bruno e a crise que isso acarretou. Na época, boatos de impechment chegaram a rondar a Gávea. Mas como não é de se abalar, Patrícia deu a volta por cima, botou a casa em ordem e mostrou que uma mulher pode sim dirigir um grande clube de futebol.
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Em entrevista ao Futebol para Meninas, ela contou um pouco sobre como é ser mulher no mundo da bola, esse universo visto como masculino pela maioria das pessoas. Além disso, participou de um bate-bola sobre suas preferências e revelou com o que não vive sem.

Futebol para Meninas – Como é ser a primeira mulher eleita presidente do Flamengo?
Patrícia Amorim – Costumo dizer que o Flamengo é realmente um clube de vanguarda. Elegeu uma mulher presidente e logo depois o país também elegeu uma mulher como presidente. No começo, andava na rua e várias senhorinhas, mulheres de um modo geral, estavam eufóricas pelo fato do Flamengo ter uma mulher como presidente. Mas acho que agora já acostumaram.
FPM – Você sempre foi uma pessoa pública. Com três anos já tinha ingressado na carreira de nadadora. Conseguiu levar uma vida comum de criança/adolescente? E hoje, como faz para administrar sua vida pública?
PA – Tive uma infância como a de qualquer criança. Já a adolescência não posso dizer que foi igual a de todas as meninas da minha idade, mas porque treinava demais e não por ser uma pessoa pública. Acho que nem era!!!! Passei anos na piscina do Flamengo e competindo. Como vereadora também tinha uma vida normal. A coisa realmente passou a ficar um pouco mais complicada quando assumi a presidência do Flamengo. Tive que ter mais cautela em freqüentar alguns lugares. Hoje não posso ir mais ao supermercado. Na última vez fui xingada por um torcedor de outro time. Mas acho tudo isso faz parte, não me incomoda e lido bem com isso. A maioria das pessoas que chega para falar comigo tem uma palavra carinhosa, pede para tirar foto e isso não me incomoda nem um pouco.
FPMeninas – Como você, uma mulher rodeada por homens, consegue manter a essência feminina, sem deixar se influenciar por eles em suas decisões?
PA – É um exercício diário. Costumo dizer que nós, mulheres, somos mais tranqüilas e serenas no momento de tomar decisões. A grande maioria dos homens, pelo menos os que convivo aqui no Flamengo, são muito nervosos….aí venho eu, com meu jeito dócil mas firme, e consigo resolver as coisas de uma maneira mais tranqüila. Não tomo nenhuma decisão no calor da emoção.
FPM – O que de melhor você aprendeu com eles?
PA – Todo dia estamos aprendendo. Desde que cheguei aqui no Flamengo, eu aprendo.
FPM – O fato de você ser mulher faz diferença quando você precisa se aproximar de algum jogador ou até mesmo em negociações?
PA – No começo fez mais, agora não faz tanta diferença. Mas sabe que a grande maioria dos jogadores prefere lidar comigo? Tenho paciência para ouvir e procuro ajudar da melhor maneira possível. Eles sabem que sou mãe e muitas vezes contam de seus filhos…
Quanto às negociações a história também é a mesma. Procuro ouvir todos os envolvidos e acabo resolvendo sempre pelo acho que é melhor para o Flamengo.

FPM – Como foram os minutos que esteve com Obama?
PA – Foram sete minutos inesquecíveis e que ficarão para sempre na minha memória. Só pensava assim: “quem sou eu no mundo para estar ao lado do presidente dos EUA??” Foi sensacional. O Obama é um homem simpático, elegante e educado.
FPM – Qual foi o momento mais difícil que enfrentou no comando do Fla?
PA – Sem dúvida o caso do goleiro Bruno.
FPM -É fácil separar a Patrícia presidente e administradora do Flamengo da Patrícia torcedora?
PA – Sentar na cadeira da presidência do Flamengo é se sentar em uma cadeira elétrica. Você é testada diariamente. Não posso e não administro o clube com paixão de torcedor. Tenho sempre que pensar no que é melhor para a instituição. E nem sempre o que é melhor para instituição é o que o torcedor deseja, sonha.
FPM – Apesar do time estar trabalhando para isso, será que o retorno de Ronaldinho à Seleção foi realmente uma boa para o clube?
PA – Se o jogador foi convocado é porque vive um bom momento. E nós temos nossa parcela nisso, porque proporcionamos que ele resgatasse a alegria de jogar de futebol. Nào temos do que nos queixar.
FPM – Você foi eleita vereadora por três vezes. O que a carreira na política trouxe de experiência para sua vida? E no que lhe ajudou no comando do Fla?
PA – A experiência que adquiri em todos esses anos como vereadora foi fundamental para a minha chegada à presidência do Flamengo. Tenho uma bagagem, uma vivência que me ajudaram muito no Flamengo.
FPM – Se candidataria a presidência da República?
PA – Nossa, calma.. isso é muito grande! Nunca parei pra pensar nisso.
FPM – E o casamento? Seu marido entende sua vida atribulada? E os filhos?
PA – O Fernando é um grande companheiro. Tenta suprir minha ausência de todas as formas. Os papéis meio que se inverteram, mas ele não reclama, faz isso com prazer. Os filhos, de vez em quando dão uma reclamada, mas procuro estar presente sempre que posso.

Bate-bola: definindo em poucas palavras
FPM – Flamengo?
PA – Paixão
FPM – Cor?
PA – Rubro-negra
FPM – O que mais ama?
PA – Meus filhos
FPM – O que mais incomoda?
PA – Falsidade
FPM – Mania?
PA – Flamengo
FPM – TPM?
PA – Chocolate
FPM – Prato predileto?
PA – Comida japonesa
FPM – Folga?
PA – Fato raro
FPM – Filosofia de vida?
PA – Fazer um Flamengo melhor
FPM – Um lugar?
PA – Sede da Gávea
FPM – Não vive sem?
PA – Flamengo
FPM – Um ídolo?
PA – Zico
FPM – Uma música?
PA – “We are the champions”, do Queen
FPM – Salto alto ou sapato baixo?
PA – Sapato baixo
FPM – Um momento especial?
PA – O título da Copinha no começo deste ano, simbolizou o resgate da tradição do Flamengo, com o lema Craque o Flamengo faz em casa.